Convidei um amigo, mestre e discípulo, pra escrever pro nosso site, contar suas andanças pelo Mundo, pelo mundo interno, externo e mais além…
Com alegria ele aceitou o convite, agora leiam seus relatos e boa viagem!

…Um ano, três meses e oito dias.
Hoje, esse é o tempo relativo que faz que embarquei do Brasil para essa temporada em terras mais ou menos longínquas. Refiro a tempo relativo porque, em termos existenciais, às vezes me parece que estou aqui há muitas vidas, e por outras minha impressão é que saí de POA na semana passada…
A base para minhas andanças é em Zürich, na Suíça, e sobre isso falo agora um pouco.
Interessantes sincronicidades: da democrática e diversa Porto Alegre que tanto me conquistou, me desloco para essa fria Zurich, chamada por seus habitantes de “a menor grande cidade do mundo”. E faz sentido a denominação: com menos de 400 mil habitantes, a outrora Turicum dos romanos hoje acolhe pessoas de mais de 150 países, estrangeiros como eu, que compõem algo como 30% da população local.
Nas ruas, nos bondes, trens e ônibus, uma diversidade riquíssima. O tempo todo, em toda parte, muitos estímulos sensoriais: idiomas incompreensíveis, muitas cores e desenhos, incontáveis aromas e sabores.
De resto, a boa e velha Confederação Helvética mantém-se organizada, pontual e moderada, como seus melhores relógios. Ah, e muito, muito fria, como convém a quem está aos pés dos Alpes. Nesta semana, mesmo, já ha alguns dias do início convencional da primavera, tivemos bastante neve e -7 graus centígrados aqui em Zurich. Já nas regiões mais frias, houve locais com -39 graus…!

E assim vamos, aprendendo a ter olhos para a vacuidade no cotidiano, descobrindo a capacidade semi-adormecida de constatar as semelhanças na diversidade. Sim, porque ao par de tantas diversidades, as pessoas contém a mesma humanidade, onde quer que vamos. Também aqui, quando proponho experiências de Comunidade – no Dharma budista ou não – são as mesmas sementes que brotam nos corações, e são as mesmas aspirações que movem os sonhos… Então, quando a dificuldade de entendimento pode vir a travar nosso movimento de fraternidade para além das diferenças, sempre encontramos comunicação segura e limpa na partilha do silêncio. Assim, também além de tempo e espaço, começamos esse diálogo – por ora virtual -, cuja aspiração é nutrir nossos ideais compartilhados de mais beleza, alegria, sentido e plenitude. Palmas unidas, sorriso na face, abraço com carinho a todos, velhos e novos-velhos amigos. Continuamos, próximos apesar das aparentes distãncias. Boa vida a todos nós. Até breve!
Jorge Koho

Jorge Koho Mello, 47, nascido em Itaqui(RS), criado em Santiago, com passagens por Brasília e enamorado de POA desde 93, está no Caminho desde cedo, sempre com um pé no Oriente. Esoterismo, Yoga, Judo e Ambientalismo nas décadas de 70 e 80, nos anos 90, novas trilhas: Shiatsu, Ecovilas, Aikido e o Budismo. Ordenado monge na Escola Soto Zen por Coen Sensei em 2008, reside e pratica atualmente na Suíça. Na mochila e como inspiração, memórias vivas de Findhorn (Escócia), Schumacher College (Inglaterra) e Krogerup Hojsköle (Dinamarca).
Então, assim vamos, juntos no Caminho, a cultivar sementes de paz no coração-mente, e solidariamente recordar como é ver as coisas exatamente como elas são.
Aguardem mais sementes de além mar…
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